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Como Pessoa Física Pode Investir em CRI e CRA com Isenção de Imposto de Renda

Saiba como investir em CRI e CRA com isenção de imposto de renda para pessoa física, quais são os riscos, rendimentos e como acessar esses títulos.

✍️ 📅 31 de maio de 2026

Introdução

Entre os investimentos de renda fixa disponíveis no Brasil, CRI e CRA se destacam por uma característica especial para a pessoa física: isenção total de Imposto de Renda sobre os rendimentos. Esse benefício, somado a taxas geralmente superiores ao Tesouro Direto, torna esses títulos muito atraentes para quem busca eficiência tributária.

Neste artigo você vai entender o que são CRI e CRA, como funcionam, como acessá-los e quais cuidados tomar antes de investir.

Resposta Rápida

CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) são títulos de renda fixa lastreados em créditos imobiliários e do agronegócio, respectivamente. Para a pessoa física, os rendimentos são isentos de IR. São acessíveis por meio de corretoras, com investimento mínimo a partir de R$ 1.000 em algumas emissões.

Explicação Detalhada

O que é o CRI?

O Certificado de Recebíveis Imobiliários é um título de crédito emitido por securitizadoras e lastreado em créditos do mercado imobiliário: financiamentos, aluguéis, loteamentos. Quando você compra um CRI, está, na prática, financiando operações imobiliárias e recebendo juros por isso.

Base legal: Lei 9.514/1997.

O que é o CRA?

O Certificado de Recebíveis do Agronegócio é similar ao CRI, mas lastreado em operações do setor agrícola: financiamentos rurais, contratos de compra e venda de commodities, CPRs (Cédula do Produtor Rural).

Base legal: Lei 11.076/2004.

Por que são isentos de IR para pessoa física?

A isenção é um incentivo fiscal do governo para estimular o financiamento desses dois setores estratégicos da economia brasileira. Assim como as LCIs e LCAs, os CRIs e CRAs têm isenção de IR para pessoa física sobre rendimentos.

Atenção: pessoas jurídicas pagam IR normalmente sobre os rendimentos de CRI e CRA.

Tipos de rentabilidade

Os CRIs e CRAs podem ser:

- Prefixados: taxa de juros definida no momento da emissão (ex: 13% a.a.)

- Pós-fixados: atrelados ao CDI (ex: CDI + 2% a.a.)

- Híbridos: indexados à inflação mais um spread (ex: IPCA + 7% a.a.)

Como acessar CRI e CRA

1. Abra conta em uma corretora de valores

2. Acesse a área de renda fixa da plataforma

3. Filtre por CRI ou CRA

4. Analise as condições: emissora, prazo, rentabilidade, rating

5. Invista o valor mínimo exigido (varia de R$ 1.000 a R$ 300.000 dependendo da emissão)

Exemplos com Cálculos Numéricos

Comparação: CRA IPCA+7% vs CDB 115% CDI (com IR)

Cenário: investimento de R$ 50.000 por 3 anos.

CRA (IPCA + 7%, isento):

- IPCA estimado: 5% ao ano

- Rentabilidade bruta: 12% ao ano

- Rentabilidade líquida: 12% ao ano (sem IR)

- Patrimônio após 3 anos: R$ 50.000 x (1,12)^3 = R$ 70.247

CDB 115% CDI (com IR):

- CDI estimado: 11% ao ano

- Rentabilidade bruta: 115% x 11% = 12,65% ao ano

- Alíquota de IR para 3 anos: 15%

- Rentabilidade líquida: 12,65% x (1 - 0,15) = 10,75% ao ano

- Patrimônio após 3 anos: R$ 50.000 x (1,1075)^3 = R$ 65.991

Diferença: R$ 4.256 a mais no CRA, mesmo com rentabilidade bruta menor.

Exemplo de CRI com pagamento semestral de juros

CRI prefixado a 13% ao ano com pagamento semestral de juros:

- Investimento: R$ 20.000

- Juros semestrais: R$ 20.000 x (1,13)^0,5 - R$ 20.000 = R$ 1.265

- A cada 6 meses o investidor recebe R$ 1.265 isentos de IR

- Ao final do prazo, recebe o principal de volta

Tabela Comparativa: CRI, CRA, LCI e LCA

| Característica | CRI | CRA | LCI | LCA |

|---|---|---|---|---|

| Emissor | Securitizadora | Securitizadora | Banco | Banco |

| Lastro | Imobiliário | Agronegócio | Imobiliário | Agronegócio |

| IR pessoa física | Isento | Isento | Isento | Isento |

| Garantia FGC | Não | Não | Sim (até R$ 250k) | Sim (até R$ 250k) |

| Valor mínimo | R$ 1.000 a R$ 300k | R$ 1.000 a R$ 300k | R$ 1.000 | R$ 1.000 |

| Liquidez | Baixa (mercado sec.) | Baixa (mercado sec.) | Baixa a média | Baixa a média |

| Rating disponível | Sim | Sim | Não usual | Não usual |

Vantagens do CRI e CRA

- Isenção de IR para pessoa física aumenta o retorno líquido

- Rentabilidade geralmente superior à média da renda fixa bancária

- Diversificação por setor (imobiliário e agronegócio)

- Possibilidade de indexação ao IPCA, protegendo o poder de compra

- Pagamentos periódicos de juros em muitas emissões geram renda recorrente

Desvantagens e Riscos

- Não têm cobertura do FGC: risco de crédito do emissor e da securitizadora

- Baixa liquidez: difícil vender antes do vencimento sem deságio

- Valor mínimo elevado em algumas emissões (R$ 300.000)

- Análise de crédito exige mais conhecimento do investidor

- Risco de prepagamento: o emitente pode quitar o título antes do prazo, e você precisará reinvestir em condições possivelmente piores

Erros Comuns

1. Investir sem verificar o rating: o risco de crédito varia muito entre emissões. Prefira ratings BBB ou superior de agências reconhecidas.

2. Não verificar o prazo real de vencimento: alguns CRIs e CRAs têm vencimento em 10 a 15 anos. Isso é muito tempo para imobilizar capital.

3. Confundir CRI com LCI: LCI tem garantia do FGC, CRI não. São produtos diferentes em termos de risco.

4. Comprar no mercado secundário sem verificar o preço: no mercado secundário os títulos podem ser negociados acima ou abaixo do valor par, mudando a rentabilidade efetiva.

5. Concentrar toda a renda fixa em CRI/CRA: a falta do FGC exige diversificação entre emissores e setores.

FAQ: 10 Perguntas Frequentes

1. CRI e CRA têm garantia do FGC?

Não. Por isso o risco de crédito é maior do que LCI, LCA ou CDB. Analise cuidadosamente o emissor e a securitizadora.

2. Qual o prazo mínimo de investimento?

Varia por emissão. Existem CRIs e CRAs com prazo de 2 anos e outros com 15 anos. Verifique antes de investir.

3. Posso vender antes do vencimento?

Sim, no mercado secundário. Mas a liquidez é baixa e você pode sofrer deságio dependendo das condições de mercado.

4. Como funciona o rating em CRI e CRA?

Agências como S&P, Moody's, Fitch e Austin avaliam o risco de crédito da emissão. Quanto maior o rating (AAA sendo o máximo), menor o risco e, em geral, menor a taxa oferecida.

5. CRI e CRA pagam dividendos?

Não são chamados de dividendos, mas muitas emissões pagam juros periodicamente (mensalmente ou semestralmente). Esses pagamentos são isentos de IR para pessoa física.

6. É possível investir em CRI/CRA por meio de fundos?

Sim. Os FIIs (fundos imobiliários) de papel investem em CRIs. E existem fundos de renda fixa que investem em CRAs. A isenção de IR, porém, é do investidor direto, não do fundo.

7. Qual o valor mínimo para investir?

Depende da emissão. Algumas plataformas oferecem CRIs e CRAs a partir de R$ 1.000. Emissões institucionais podem exigir R$ 300.000.

8. O IPCA+ de um CRA é calculado como?

O valor é corrigido pelo IPCA acumulado e recebe ainda o spread prefixado. Ex: IPCA + 7%. Se o IPCA foi de 5%, o rendimento bruto foi de 12%.

9. Existe CRI ou CRA no Tesouro Direto?

Não. Esses títulos são emitidos por securitizadoras privadas. O Tesouro Direto é exclusivo para títulos do governo federal.

10. Preciso declarar CRI e CRA no Imposto de Renda?

Sim. Mesmo isentos, os rendimentos e o saldo devem ser declarados na ficha de rendimentos isentos e não tributáveis na declaração de IR.

Glossário

- CRI: Certificado de Recebíveis Imobiliários.

- CRA: Certificado de Recebíveis do Agronegócio.

- Securitizadora: empresa que emite CRIs e CRAs a partir de recebíveis.

- FGC: Fundo Garantidor de Créditos. Garante até R$ 250.000 por CPF por instituição em produtos bancários.

- Rating: classificação de risco de crédito por agência especializada.

- IPCA: Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Principal índice de inflação do Brasil.

- Deságio: venda de um título abaixo do seu valor de face no mercado secundário.

- CPR: Cédula do Produtor Rural. Título de crédito rural que serve de lastro para CRAs.

- Mercado secundário: ambiente de negociação de títulos já emitidos entre investidores.

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Conclusão

CRI e CRA são alternativas de renda fixa com excelente eficiência tributária para a pessoa física. A isenção de IR, combinada com taxas geralmente atrativas, pode superar significativamente produtos bancários tributados, mesmo que estes ofereçam taxas nominais maiores.

O principal cuidado está no risco de crédito e na liquidez. Antes de investir, verifique o rating da emissão, diversifique entre diferentes emissores e certifique-se de que não precisará do dinheiro antes do vencimento. Com esses cuidados, CRI e CRA podem ser aliados poderosos na construção do seu patrimônio.